quarta-feira, novembro 18, 2009

S. Martinho - Tocar os chocalhos


As tradições estão a renascer!

Este ano, em vesperas de S. Martinho, voltaram-se a ouvir os chocalhos pelas ruas da freguesia cujo objectivo foi manter viva a tradição da nossa aldeia.

É gratificante ver várias gerações envolvidas em acções que fazem parte da nossa cultura e identidade.
Fica o apelo para a maior participação da população nestes eventos, para que estas não caiam no esquecimento.




Fotos cedidas por André Gingeira

quinta-feira, novembro 12, 2009

Autarquias.org



O Autarquias.org é uma ferramenta disponivel on-line que tem como objectivo promover a participação activa e a colaboração de todos os munícipes e o poder local.

Assim se pretende:
- Alertar o Município para problemas encontrados (buracos na via publica, postes de iluminação caidos, etc..)

- Promover debates de assuntos pertinentes com outros cidadãos, questionar a autarquia sobre assuntos de interesse à Comunidade
- Criar petições cuja causa seja de interesse publico

pode faze-lo em
http://www.autarquias.org/pagina3.aspx?ID=621 (link directo para o Minicípio de Seia)


domingo, novembro 08, 2009

ROUBARAM-ME TUDO QUANTO TINHA

Poucos acreditavam que isto pudesse acontecer, ou então que pudesse acontecer desta forma. Vemos a nossa terra transformada num couto de caça de meia dúzia de larápios, e vemos a polícia a assobiar para o ar. Aliás a verdade é que em nem vemos a polícia e quando a vemos é na caça à multa!
Entre um pavoneante passeio pela Av. 1ª de Maio em Seia, uma multa de estacionamento a um carro que não atrapalha ninguém, uma operação stop, ou uma operação de investigação aos larápios, certamente quem de direito exclui esta ultima.
Quando éramos mais pequenos fomos criando a ideia, que os polícias são aqueles que perseguem e prendem os maus, os ladrões! Agora que somos crescidinhos e já não acreditamos no Pai Natal, sabemos que não é assim. Vivemos num país onde há um sistema de justiça que não funciona. Há uns quantos que se sabem organizar muito bem, invocam interesses corporativos, defendendo apenas o que lhes interessa, e apadrinhando um muito perro e que cumpra todos os objectivos, menos o de fazer justiça. Neste mesmo pais tem mais vantagem ser ladrão que ser polícia. Desgraçado do polícia que dê um tiro a um ladrão que anda é roubar. É triste mas é assim! Temos dois caminhos: ou somos uma cambada de conformados chorosos, ou somos defensores convictos daquilo que deve ser feito para minimizar os erros deste sistema que nos sufoca. Alguém tem que decidir o que os guardas da GNR devem fazer, e é nosso dever condicionar essa decisão. Vamos fazer pressão sobre quem decide, para que quando tiver que decidir entre enviar uma patrulha na caça à multa a quem anda a trabalhar, ou vigiar os larápios, tenha a sua decisão facilitada.



Este é o rosto da desilusão. Toda a vida foi pastor, a única coisa que saber fazer é guardar cabras, a única coisa que lhe trás alegria e sentido è sua vida é guardar cabras, é por isso que o titulo deste post não tem nada de exagero: “Roubaram-lhe tudo quanto tinha”. Já o disse e repito-o, se este homem se render e conformar com a situação, não ficará por cá muito tempo.
Já depois de escrever as primeiras linhas soube do novo assalto: agora foram chocalhos. Em tempos idos a solução para tudo isto seriam sinos a rebate, mas para ridículo da situação, até já esses roubam!. Passaram-se mais coisas (tristes) neste país “pequenininho”, apareceram por aí varas de criminosos poderosos que nunca são acusados de coisas nenhuma, e se esses são intocáveis, parece que já nem os ladroezecos o são.
A GNR depois do abaixo-assinado, tanto quanto sei, passou de invisível a visível, já não é mau!

IC37 ligará mesmo Viseu a Seia ? mas por onde?

Na última edição da Porta da Estrela ( 20 de Outubro) vem uma notícia que me deixou um pouco intrigado.... ou talvêz não ... se tiver em conta as acções( geitinhos) dos lobies e as influências politicas que já vamos estando habituados a ver manobrar os cordelinhos para chegar a brasa à sua sardinha. Diz Dr Fernando Ruas na Porta da Estrela: '' O presidente da Câmara de Viseu exortou a Estradas de Portugal a avançar rapidamente com a construção do IC37, entre Viseu e Seia, que será alternativo à EN231,'' para mais adiante referir:«Já fui a reuniões com o actual secretário de Estado onde era feita toda a explanação de como seria a malha viária naquele 'interland' que vai daqui de Viseu até Oliveira do Hospital, Serra da Estrela e não vemos nada avançar», Afinal em que ficamos?A IC37 vai mesmo ligar Viseu a Seia ou será, mais coisa menos coisa, Viseu a Oliveira do Hospital para seguir para a Serra da Estrela? Muito estranho este trajecto que deve ter sido cozinhado por algum politico em Lisboa que até tinha obrigação de conhecer bem região! Já me estou a ver ir de Seia a perto de Oliveira do Hospital qundo quiser ir para Viseu numa via mais segura, sim porque restará sempre a velhinha EN231 para que as aldeias e vilas não fiquem desertas .... Isto de vias rápidas e auto estradas tem muito que se lhe diga !Só espero que os novos autarcas de Seia estejam atentos e não deixem comer-lhe as papas na cabeça!

Antonio José Nunes Figueiredo

quarta-feira, outubro 28, 2009

Campânulas de Ouro do Cine’Eco 2009


Documentário “Pare, Escute e Olhe” de Jorge Pelicano conquista três Campânulas de Ouro do Cine’Eco 2009 – XV Festival Internacional de Cinema de Ambiente de Seia.

- Grande Prémio do Ambiente, atribuído pelo Júri Internacional
- Grande Prémio da Lusofonia
- Prémio Especial da Juventude

Segundo a organização, "Pare, Escute e Olhe" é "uma viagem por um Portugal profundo e esquecido,
conduzida pela voz soberana de um povo inconformado, maior vítima de promessas incumpridas dos que juraram defender a terra".



De parabens está também Luis Silva, do blog Oceano das Palavras, pela Menção Honrosa atribuida ao documentário “Os Últimos Moinhos”.

Este documentário tem como objectivo “retratar a triste realidade de uma arte que, além de aproveitar os recursos hídricos e naturais, era o sustento de muitas famílias nas regiões do centro norte, algumas zonas do interior e algumas regiões do Alentejo”.
“Hoje esta arte está em vias de extinção. O que vamos vendo e registando são dezenas ou mesmo centenas de moinhos desactivados, cobertos de silvas, abandonados pelo tempo".

Esta produção surge assim como um grito de alerta contra a degradação do património cultural das nossas aldeias.

quarta-feira, outubro 14, 2009

Cine-Eco 2009




O Festival Internacional de Cinema de Ambiente vai decorrer, em Seia, de 17 a 24 de Outubro, 15 Anos após a 1º Edição.

As sessões cinematográficas decorrem em simultaneo no CISE e na Casa Municipal da Cultura, ao longo de todo o dia.


Paralelamente haverá concertos:
    “La Vie en Rose – Edith Piaff”, com Sylvie C e seu quarteto
    “Vida Seca – Som de Sucata” (Brasil)
    “Vinho dos Amantes" - Janita Salomé

e a conferência
    “A Cultura como factor de Desenvolvimento”
entre outros.



Mais informação aqui

quarta-feira, setembro 30, 2009

DEBATE DOS CANDIDATOS À CMS

A tecnologia traz-nos destas coisas. Hoje quando perdemos aquele programa de rádio que tanto queríamos ouvir, já não é uma desgraça. Grande parte das rádios já dispõem de um arquivo vasto de programas de rádio para ouvir no computador ou descarregar para os famosos leitores de mp3.
Na garantia que o próximo Presidente da CMS será um professor, é sempre interessante ouvir aquilo que os candidatos à Câmara Municipal de Seia defendem e as mensagens que querem passar aos eleitores. A iniciativa decorreu no passado dia 29 entre as 13 e as 14 horas numa sala do Centro de Interpretação da Serra da Estrela (CISE). O moderador foi o jornalista Álvaro Coimbra




Oiça o debate na Rádio (([Podcast])).

terça-feira, setembro 08, 2009

O CISE ACTIVIDADES de OUTUBRO


Em tempos falei do CISE e da importância que eu julgo que iniciativas como estas têm para o interior. Para quantos não sabem das suas iniciativas aqui fica o programa de actividades para Outubro:




www.cise-seia.org.pt

O DESERTO

Um ministro que aprecio particularmente dizia em tempos que a margem sul era um deserto, o interior também o é, e Valezim não podia escapar... Mas de repente sem ninguém perceber como, tudo voltou à normalidade:




quinta-feira, setembro 03, 2009

As Alminhas de Valezim


Ao recordar o tempo em que passava pelas Alminhas e tinha que rezar uma Avé-Maria e um Pai Nosso sem saber muito bem qual o motivo, e levada também pelo facto de existirem alguns desses pequenos monumentos em Valezim, decidi fazer uma pequena pesquisa sobre o que de facto são as Alminhas e o seu significado.





Embora já os os Gregos, os Celtas, os Romanos erguessem pequenos monumentos junto dos caminhos e encruzilhadas, com o objectivo de proteger os viajantes, as Alminhas como hoje as conhecemos surgem no seculo XVI, após a Igreja reafirmar dogmaticamente a existência do Purgatório, facto que despertou nos cristãos diversas manifestações de fé com vista à salvação das almas em sofrimento: orações, missas, esmolas, etc...

Adquirem formas diferentes conforme a região e os materiais existentes, indo desde a mais simples cova escavada nas rochas aos belos trabalhos com rigor e beleza, que abrigam pinturas e painés de azulejos que retratam o Purgatório, representado por uma fogueira e pelas almas pecadoras que, envoltas em chamas, erguem as mãos suplicando clemência a Jesus Cristo Crucificado, a Virgem Maria, o Espírito Santo em forma de Pomba, etc, e pedem também às pessoas que por ali passam que rezem por elas.


"Ó ALMAS PIEDOSAS
QUE IDES PASSANDO,
LEMBRAI-VOS DE NÓS
QUE ESTAMOS PENANDO"

"Ó BOM JESUS, PELOS MÉRITOS DA VOSSA PAIXÃO
E MORTE NA CRUZ TENDE PIEDADE DE NÓS
E DAS BENDITAS ALMAS DO PURGATÓRIO"


Estes humildes monumentos são uma das expressões da arte popular portuguesa que mostram a religiosidade do nosso povo - são pequenos altares onde se pára um momento para deixar uma oração, com maior implantação no Norte e Centro de Portugal.
Erguidos em caminhos, encruzilhadas, pontes e nas entradas e saidas das povoações e por vezes nas frontarias de casas, as Alminhas eram respeitadas e veneradas por todos quantos por elas passavam.






Ficam imagens de dois desses singelos monumentos existentes de Valezim,
que mesmo o estado de conservação dos paines de azulejos não sendo o melhor, o que é de lamentar, têm algum valor cultural e religioso para a nossa terra.
As primeiras são das Alminhas da Calçada de São Domingos e as segundas das Alminhas da Rua da Escola. Existem outras no antigo caminho para a Lapa dos Dinheiros.

quarta-feira, agosto 19, 2009

DIA MUNDIAL DA FOTOGRAFIA

Porque ao contrário daquilo que alguns dizem, este não é o blogue do maldizer, nem o blogue dos ecopontos. O que falta, isso sim, são contributos válidos para o enriquecer. Não fosse o contributo da Joana e cá continuaria eu a pregar aos peixes. Enquanto houver pelo menos um Valezinense que me diga para continuar, por aqui estarei.
Comemora-se hoje o dia Mundial da Fotografia, tal como no ano passado não queria deixar de assinalar
o dia com as fotos que coloquei a concurso no CISE. Estas e outras fotos estarão em exposição no CISE na VII Exposição Itinerante de Fotografia de Ambiente , de 15 de Agosto a 30 de Setembro.




domingo, julho 19, 2009

Ecopontos de volta

Na sequência do que foi publicado noutro Post - Os ecopontos estão finalmente de volta à Praça da Igreja!

Poderá não ser o local ideal, mas é aquele que abrange a maior área populacional e daí a sua utilidade.



(Foto cedida por Carlos Jorge Gonçalves)

sábado, julho 04, 2009

Um Século de Vida

5 de Julho de 1909 - data de nascimento do nosso conterrâneo António Marques!!




Sim, é isso mesmo !!

O Sr António da "Cotilde", como é conhecido entre nós, festeja hoje 100 Anos e por isso este Post é dedicado a ele!

Não há memória em Valezim de alguém que tenha chegado a tão bonita idade, tratando-se por isso de algo inédito na nossa terra!!


Ninguem melhor que a familia para nos dar a conhecer um pouco deste Homem, destes 100 Anos cheios de vida e boa disposição!
Eis como os netos nos descrevem este tão GRANDE AVÔ:





" ” - Não! Ele há-de lá estar muito tempo sem mim…” foi assim que o avô António respondeu quando a Tia Odete lhe perguntou se ia dizer “até já” ao Sr. Manuel Figueiredo, aquando do seu funeral. Não sei se vai estar muito tempo longe dele ou não, mas é certo que pelo menos cá se tem aguentado. E bem!


Ainda não foi há muitos dias que me respondeu: “a mim é que me importa que vão (morram) na minha frente!!”. Ora aí está, alma despreocupada.

Quando a avó Clotilde morreu julgamos que não ia aguentar o desgosto. Afinal foi uma vida inteira, intensa e incrível. Eles até podiam refilar e parece que ainda estou a ver os gestos da avó Clotilde, irada, a discutir com ele mas era tudo como nas novelas. Terminava tudo em bem.

Ele também era maroto. Uma vez confiscou-lhe mil escudos (nesse tempo, já dava para muitos copitos e vários cigarros). Escondeu-os atrás do espelho da casa de banho e não fossem as limpezas da Tia Luísa e o segredo nunca tinha sido descoberto. Azar!

Convidaram-nos para falar sobre o nosso avô, mas 100 anos de histórias demorariam muito a tempo a escrever. Melhor seria ouvi-las da boca dele. Seriam, com certeza, momentos bem divertidos…

O avô António e a avó Clotilde tiveram uma vida muito intensa. Tiveram 9 filhos.
Trabalhavam no campo e daí alimentavam a prole. Bem cedo os mais velhos saíram da aldeia para outras paragens.
Foram tempos difíceis, mas juntos souberam ultrapassar as dificuldades da vida – e tantas que foram…
Mas a pequena casa foi-se enchendo: 23 netos e 12 bisnetos que hoje estão orgulhosos do avô António!

O nosso avô é artista: ele canta nas nossas festas e até dá entrevistas ao Porta da Estrela! Com ele aprendemos para além do que os livros nos ensinam.

Os seus 100 anos não lhe retiram o gosto pelo passeio, pelas conversas e pelas piadas. Gosta que lhe dêem atenção e não gosta nada de ser contrariado – o avô tem sempre razão! Não é assim, Tia Odete?!

Gosta de se manter informado: os Euros não o atrapalham, discute o preço do barril do petróleo e não gosta da Manuela Ferreira Leite. Porque afinal é fiel a quem lhe paga o “ordenado”. O qual ele se orgulha de ganhar sem ter de cumprir horários: “quando me levanto já tenho dia ganho”!

Moderno e atento às novas tendências, o avô António ainda se preocupa com as calças vincadas, com os colarinhos das camisas e nada de usar cores “que sejam para velhos”. Mas desenganem-se aqueles que pensam que o nosso avô é um consumista desmedido: insistiu que não lhe “mercássemos” nada para prenda de anos! Claro que os miminhos que ele tanto aprecia já estão comprados: rebuçados e um bom vinho Porto!

O nosso avô não é perfeito, mas nesta idade já não há defeitos… apenas virtudes. Ainda assim, os seus defeitos não nos retiram o orgulho de termos o melhor avô do mundo.

Agora, sabemos que não se pedem mais 100 anos, pede-se um dia de cada vez….

Mas que ele tem vontade de viver isso tem…

Obrigada Avô e muitos parabéns! "

E da nossa parte: Sr António, MUITOS PARABÉNS!!

quinta-feira, julho 02, 2009

Os Lobos - Lembranças de António Marques

O Porta da Estrela entrevistou o Sr António Marques, quase a completar 100 Anos, sobre as filmagens d' "OS Lobos". Já passaram 86 anos, mas dificilmente esqueceria o reboliço vivido na pacata aldeia nessa altura.
“Então não me lembra! Se lembro! – diz António Marques"

Aqui fica a entrevista retirada do Jornal Porta da Estrela

<< ...

Porta da Estrela (PE): Sr. António, em finais de 1922 e inícios de 1923, em Valezim, andaram por aqui uns artistas a fazer um filme. Lembra-se de tal coisa e dos sítios onde filmaram?
(A.M.): Então não lembra! Foi lá cima no Carvalhal. Arrastavam daqui lá para cima as torgas secas e acendiam-nas lá no alto. Faziam um monte e deitavam o fogo para fazer fumo e carvão. (2) Era lá num “talegre” que lá havia.
Eles não carregavam nada às costas…
PE: Pois é. Vinham lá das capitais…
A.M.: Pois vinham. Eles traziam aquelas máquinas grandes, antigas…antigas …daquelas com trapézios (são tripés) que deitavam um pano por cima.
PE: E aqui em Valezim?
A.M.: Andaram ali naquela ponte, que é a ponte romana. Ficavam ali uns moinhos. Olhe, havia dois deste lado e lá abaixo o do Isaac, que tinha também um moinho ali.
PE: Mas lembra-se deles andarem a filmar aqui em Valezim…
A.M.: Era…era nestes sítios que eles viam que ficavam melhor para aparecer noutros lados. Aquilo era para ser vendido, claro. Iam ganhar dinheiro, senão não o andavam a gastar…
PE: Mas, eles filmaram aqui na casa onde hoje fica o clube?
A.M.: Ah. Pois. Filmaram toda a Casa Real! Casa Real! Até lá estão as armas reais. Havia lá uns homens…eram todos importantes.
PE.: É a Casa dos Castelo Branco (3) gente nobre.
A.M.: É. Andaram lá em frente e naqueles quintais e na casa.
PE: Porque é que chama a Casa Real?
A.M.: Porque havia cá homens…reais…gente nobre, claro. Agora não há cá ninguém como nesses tempos. Naqueles tempos havia aqui homens rijos e tesos.
A.M.: Deixe-me cá ver.
(E aponta para uma foto). (4) E diz:
Estes eram dos que cá andaram.
PE: Então lembra-se dos artistas cá andarem?
A.M.: Eles lá andavam nessas comédias com as raparigas…bem, com as mulheres, que elas eram uns mulherões. Eu não sei, mas agora já não há mulheres da estatura que aquelas tinham. As mulheres agora são mais pequeninas. (E arranca uma estrondosa gargalhada) Eram uns mulherões. Lembra-me muito bem. Eu já tinha idade. Já andava com os rebanhos por aí.
PE: Há uma fotografia que apresenta um casamento na Senhora da Saúde…
A.M.: Mas ainda não estava como agora…era terra em volta…não tinha escadaria nem muros.
PE: Convidaram pessoas daqui para serem figurantes, lembra-se?
A.M.: Sim…Sim…Então, eles traziam tanta gente. E carros! Transportavam tudo de carro. Não vinham a pé, pois já havia caminho. Eu lembro-me. Eu vi. Eu também era danado para ver. Entregava as ovelhas a um irmão meu e ia ver. Eu gostava de espreitar aquilo.
PE: Então lembra-se disso?
A.M.: Então não me lembra! Se lembro! Muito bem até. Aquilo era uma seita do “carago”, também lhe digo.
PE: O Sr. António tinha 14 anos. Portanto, uma idade que lhe permitiu registar o que se passou. Lembra-se se essa gente pernoitava em Valezim ou iam e vinham todos os dias?
A.M.: Iam e vinham.
P.E.: Para onde, não sabe?
A.M.: Era para Seia, porque o Zé Morgado (com carro de aluguer em Seia na época) é que os trazia e levava. O Zé Morgado tinha um carro…um carrão vermelho…aquilo andava! Eles andavam em dois carros, não era só um. E então não tinham lotação. Era os que cabiam.
P.E.: O Senhor António conheceu três homens na fotografia…
A.M.: Ah. Pois conheci. Eram os que estavam mais melhor de se conhecer. Naquele tempo Valezim era muito sossegado. Apareceu aqui aquela rapaziada…foi uma revolução, um desassossego… Pois foi. Todos gostavam de ver. Andaram a espreitar como eu. Eu já tinha 14 anos.
... >>

segunda-feira, junho 29, 2009

Valezim na Rota do Cinema Mudo - Actualização


"Os Lobos"
Assim se intitula o filme do italiano Rino Lupo, que estreou a 7 de Maio de 1923 no Jardim Passos Manuel (Porto) e que teve filmagens em Valezim.

O filme retrata a vida de uma aldeia minhota << ...dominada pela tradição patriacal:

a mulher ocupa-se das lidas do lar ou recolhe lenha;
o homem vela pelos rebanhos ou abate árvores de que fará carvão.
Após cumprir pena por crime passional, um marítimo chega àquelas paragens, convertendo-se em elemento de fascínio e desagragação da estructura arcaica. ... >>

Biografia de Cesare Rino Lupo
Nasceu em Roma, 15 de Fevereiro de 1884 tendo falecido, possivelmente, em 1934. Seduzido pelas belezas do país, trabalhou em Portugal na segunda década do século XX, na época do cinema mudo. Dessa época, são por exemplo, os seus filmes: Mulheres da Beira, Os Lobos e José do Telhado.

Durante "Os Lobos" surgem vários locais de Valezim como:
<<...vistas de Valezim, nomeadamente a partir do alto de Sazes, vendo-se um forno em zona altaneira por detrás da Igreja de Nossa Senhora do Rosário...>>
<<...Vê-se uma cascata na ribeira de Valezim,...>>
<<...Vemos muros de divisão de propriedades e caminhos, uma ponte antiga, talvez a ponte romana de acesso à Capela de São Domingos....>>


<<...Surge a torre sineira da Capela de São João e o sino anuncia o “toque das Trindades”...>>

<<...Tendo como fundo mais uma linda paisagem de Valezim, vista do alto de Sazes...>>
<<...Realiza-se o cerimonial de bênção para o pão. Águeda faz cruzes sobre a massa. ...>>

<<...Na peça de teatro, esta tradição é associada à seguinte reza: “Sam Mamede te levede, Sam Vicente te acrescente”. Carregam os tabuleiros à cabeça protegida por uma “rodilha”. Tudo isto num cenário representando um amplo pátio interior de uma habitação rural de Valezim...>>
<<...Avista-se a rua do Cabo, em Valezim...>>
<<...Capela de Nossa Senhora da Saúde sem a escadaria hoje existente, e com o largo ainda despido de arvoredo...>>


<<...Surge o fontanário da Abilheira, onde duas mulheres enchem os seus cântaros....>>
<<...O filme reporta-nos a mais umas paisagens rurais de Valezim, a saber: o típico “carro de bois”, as lareiras fumegantes, um grupo de moças transportando à cabeça as “taleigas” com farinha que foram carregar ao moinho, este também enquadrado na queda de água que faz movê-lo. ...>>
<<...pensamos que na zona do actual Cabeço do Crasto de Valezim (Demestre ou Darnelas) ...>>





Ver mais em:


O concelho de Seia na História do Cinema Mudo em Portugal (Parte I)
http://www.portadaestrela.com/index.asp?idEdicao=279&id=12239&idSeccao=2574&Action=noticia

O concelho de Seia na História do Cinema Mudo em Portugal (Parte II)
http://www.portadaestrela.com/index.asp?idEdicao=280&id=12309&idSeccao=2583&Action=noticia

O concelho de Seia na História do Cinema Mudo em Portugal (Parte III)
http://www.portadaestrela.com/index.asp?idEdicao=281&id=12356&idSeccao=2594&Action=noticia>

Os Lobos ("vistos" por Guida Lami)
http://www.portadaestrela.com/index.asp?idEdicao=279&id=12240&idSeccao=2574&Action=noticia

Seia, São Romão e Valezim na história do cinema mudo português
http://www.portadaestrela.com/index.asp?idEdicao=279&id=12241&idSeccao=2574&Action=noticia

Associação para a Promoção do Cinema Português
http://www.amordeperdicao.pt/basedados_filmes.asp?filmeid=211

sexta-feira, junho 19, 2009

Crime Ambiental ou Poda Vanguardista?



Ao longo dos ultimos anos as arvores existentes ao longo da estrada - cerejeiras e tilieiras, têm sido alvo de um 'tratamento' cujo objectivo ainda não se entendeu: Mata-las!? Ou Poda-las a fim de as regenerar/tratar!?

Sugiro aos Senhores da EP, que no proximo ano antes de cometerem tal crime, leiam o livro "Manual do Podador" - Carlo Fideghelli (Editorial Presença), talvez aprendam alguma coisa!













PRECISA-SE DE MATÉRIA PRIMA PARA CONTRUIR UM PAÍS, UMA VILA!

De entre o muito lixo que recebemos nas nossas caixas de email, por vezes recebemos alguns emails que nos deixam a pensar depois da leitura... Nada fácil nos dias de hoje, onde qualquer um é jornalista, blogger, ou tem a coragem de publicar as suas ideias. Fica um texto de Eduardo Prado Coelho pubicado no Jornal Público. Já lá vão 2 anos mas continua muito actual, em portugal e em Valezim, claro!

Eduardo Prado Coelho, faleceu a (25/08/2007),


"Precisa-se de matéria prima para construir um País
Eduardo Prado Coelho - in Público


A crença geral anterior era de que Santana Lopes não servia, bem como Cavaco, Durão e Guterres.
Agora dizemos que Sócrates não serve.
E o que vier depois de Sócrates também não servirá para nada.
Por isso começo a suspeitar que o problema não está no trapalhão que foi Santana Lopes ou na farsa que é o Sócrates.
O problema está em nós. Nós como povo. Nós como matéria prima de um país.

Porque pertenço a um país onde a ESPERTEZA é a moeda sempre valorizada, tanto ou mais do que o euro.
Um país onde ficar rico da noite para o dia é uma virtude mais apreciada do que formar uma família baseada em valores e respeito aos demais.
Pertenço a um país onde, lamentavelmente, os jornais jamais poderão ser vendidos como em outros países, isto é, pondo umas caixas nos passeios onde se paga por um só jornal E SE TIRA UM SÓ JORNAL, DEIXANDO-SE OS DEMAIS ONDE ESTÃO.
Pertenço ao país onde as EMPRESAS PRIVADAS são fornecedoras particulares dos seus empregados pouco honestos, que levam para casa, como se fosse correcto, folhas de papel, lápis, canetas, clips e tudo o que possa ser útil para os trabalhos de escola dos filhos... e para eles mesmos.
Pertenço a um país onde as pessoas se sentem espertas porque conseguiram comprar um descodificador falso da TV Cabo, onde se frauda a declaração de IRS para não pagar ou pagar menos impostos.

Pertenço a um país:
-Onde a falta de pontualidade é um hábito;
-Onde os directores das empresas não valorizam o capital humano.
-Onde há pouco interesse pela ecologia, onde as pessoas atiram lixo nas ruas e, depois, reclamam do governo por não limpar os esgotos.
-Onde pessoas se queixam que a luz e a água são serviços caros.
-Onde não existe a cultura pela leitura (onde os nossos jovens dizem que é 'muito chato ter que ler') e não há consciência nem memória política, histórica nem económica.
-Onde os nossos políticos trabalham dois dias por semana para aprovar projectos e leis que só servem para caçar os pobres, arreliar a classe média e beneficiar alguns.
-Pertenço a um país onde as cartas de condução e as declarações médicas
podem ser 'compradas', sem se fazer qualquer exame.
-Um país onde uma pessoa de idade avançada, ou uma mulher com uma criança nos braços,
ou um inválido, fica em pé no autocarro, enquanto a pessoa que está sentada finge que dorme para não lhe dar o lugar.
-Um país no qual a prioridade de passagem é para o carro e não para o peão.
-Um país onde fazemos muitas coisas erradas, mas estamos sempre a criticar os nossos governantes.

Quanto mais analiso os defeitos de Santana Lopes e de Sócrates, melhor me sinto como pessoa, apesar de que ainda ontem corrompi um guarda de trânsito para não ser multado.
Quanto mais digo o quanto o Cavaco é culpado, melhor sou eu como português, apesar de que ainda hoje pela manhã explorei um cliente que confiava em mim, o que me ajudou a pagar algumas dívidas.

Não. Não. Não. Já basta.
Como 'matéria prima' de um país, temos muitas coisas boas, mas falta muito para sermos os homens e as mulheres que o nosso país precisa.

Esses defeitos, essa 'CHICO-ESPERTERTICE PORTUGUESA' congénita, essa desonestidade em pequena escala, que depois cresce e evolui até se converter em casos escandalosos na política, essa falta de qualidade humana, mais do que Santana, Guterres, Cavaco ou Sócrates, é que é real e honestamente má, porque todos eles são portugueses como nós, ELEITOS POR NÓS. Nascidos aqui, não noutra parte...

Fico triste. Porque, ainda que Sócrates se fosse embora hoje, o próximo que o suceder terá que continuar a trabalhar com a mesma matéria prima defeituosa que, como povo, somos nós mesmos.

E não poderá fazer nada...
Não tenho nenhuma garantia de que alguém possa fazer melhor, mas enquanto alguém não sinalizar um caminho destinado a erradicar primeiro os vícios que temos como povo, ninguém servirá.
Nem serviu Santana, nem serviu Guterres, não serviu Cavaco, nem serve Sócrates e nem servirá o que vier.

Qual é a alternativa ?
Precisamos de mais um ditador, para que nos faça cumprir a lei com a força e por meio do terror ?
Aqui faz falta outra coisa. E enquanto essa 'outra coisa' não comece a surgir de baixo para cima, ou de cima para baixo, ou do centro para os lados, ou como queiram, seguiremos igualmente condenados, igualmente estancados... igualmente abusados !

É muito bom ser português. Mas quando essa portugalidade autóctone começa a ser um empecilho às nossas possibilidades de desenvolvimento como Nação, então tudo muda...

Não esperemos acender uma vela a todos os santos, a ver se nos mandam um messias.
Nós temos que mudar. Um novo governante com os mesmos portugueses nada poderá fazer.

Está muito claro... Somos nós que temos que mudar.

Sim, creio que isto encaixa muito bem em tudo o que anda a acontecer-nos:
Desculpamos a mediocridade de programas de televisão nefastos e, francamente, somos tolerantes com o fracasso.
É a indústria da desculpa e da estupidez.
Agora, depois desta mensagem, francamente, decidi procurar o responsável, não para o castigar, mas para lhe exigir (sim, exigir) que melhore o seu comportamento e que não se faça de mouco, de desentendido.

Sim, decidi procurar o responsável e ESTOU SEGURO DE QUE O ENCONTRAREI QUANDO ME OLHAR NO ESPELHO.

AÍ ESTÁ. NÃO PRECISO PROCURÁ-LO NOUTRO LADO.

E você, o que pensa ?... MEDITE !

EDUARDO PRADO COELHO"

quarta-feira, junho 03, 2009

Sociedade de Consumo

António, depois de dormir numa almofada de algodão (Made in Egipt),
começou o dia bem cedo, acordado pelo despertador (Made in Japan) às 7
da manhã.

Depois de um banho com sabonete (Made in France) e enquanto o café
(importado da Colômbia) estava a fazer na máquina (Made in Chech
Republic), barbeou-se com a máquina eléctrica (Made in China).
Vestiu uma camisa (Made in Sri Lanka), jeans de marca (Made in
Singapure) e um relógio de bolso (Made in Swiss).

Depois de preparar as torradas de trigo (produced in USA) na sua
torradeira (Made in Germany) e enquanto tomava o café numa chávena
(Made in Spain), pegou na máquina de calcular (Made in Korea) para ver
quanto é que poderia gastar nesse dia e consultou a Internet no seu
computador (Made in Thailand) para ver as previsões meteorológicas.

Depois de ouvir as notícias pela rádio (Made in India), ainda bebeu um
sumo de laranja (produced in Israel), entrou no carro Saab (Made in Sweden)
e continuou à procura de emprego.

Ao fim de mais um dia frustrante, com muitos contactos feitos através
do seu telemóvel (Made in Finland) e, após comer uma pizza (Made in
Italy), o António decidiu relaxar por uns instantes.

Calçou as suas sandálias (Made in Brazil), sentou-se num sofá (Made in
Denmark), serviu-se de um copo de vinho (produced in Chile), ligou a
TV (Made in Indonésia) e pôs-se a pensar porque é que não conseguia
encontrar um emprego em PORTUGAL...


O Ministério da Economia de Espanha estima que se cada espanhol consumir
150€ de produtos nacionais, por ano, a economia cresce acima de todas as estimativas
e, ainda por cima, cria não sei quantos postos de trabalho.

Será que as empresas e consumidores Portugueses têm conhecimento disto?

quinta-feira, maio 21, 2009

"Quintal da Junta"



Quem se lembra do antigo "Quintal da Junta"?
Dos baloiços e dos velhos cavalinhos?
E do campo dourado em que se tornava em Setembro/Outubro durante a secagem do milho?
E do som dos grilos na Primavera?


Pois bem! Esse espaço, recuperado pela Junta de Freguesia, é agora um agradável jardim que convida ao descanço num belo final de tarde.


Deixo algumas fotos do mesmo.







sexta-feira, maio 15, 2009

O HOMEM DO LIXO

Aqui há uns anos, numa das Festas em que pertenci à Comissão do Arraial das Festas de Nossa Sra. da Saúde, enquanto servia no Bar, um dos clientes que esperava por ser atendido, vira-se para mim e pergunta: "O Sr. não sabe quem é que eu sou?", vendo o meu olhar interrogativo voltou a perguntar "O Sr. não sabe quem é que eu sou?". Percebendo que eu não sabia mesmo, passou a apresentar-se: "Eu sou o homem do lixo!".
Da minha introdução facilmente se depreende que os trabalhadores que trabalham neste sector de actividade são pessoas importantes desde há muito tempo! Quer sejam trabalhadores da Câmara, de uma outra entidade qualquer, deste planalto ou de outro qualquer.
Raro é o fim-de-semana que vou a Valezim em que não se fale da ultima vez em que o camião do lixo não esteve a buzinar de forma insistente às tantas da manhã. A discussão que se gerou à volta da mensagem publicada pela Joana, levou-me a acabar esta mensagem que estava meia-feita há já algum tempo.
A ultima vez que quis fazer passar a minha opinião, sobre este assunto numa das "conversas de Clube", a coisa correu mal. Apesar da etiqueta que já me colocaram "O gajo de Lisboa que só cá vem de vez em quando, e para quem é fácil mandar bocas". Aqui ficam uma perguntas quem quiser que responda!

  1. Antes de comprarem os camiões do lixo, as ruas de Valezim já existiam. Conhecendo o concelho como conheço, até posso dizer que as ruas de Valezim até são muito boas comparando com outras freguesias. Serão os camiões adequados à recolha do lixo no Concelho de Seia?
  2. Em freguesias em que não há constrangimento de trânsito, porque não fazer a recolha durante o dia? Ou durante o dia não há pagamento de horas extraordinárias, e este tipo de trabalhos deizam de ser interessantes?
  3. Se há viaturas que estão "mal estacionadas" a infringir a lei, porque não convocam a GNR para abrir caminho?
  4. Que direito tem um senhor qualquer estar a buzinar insistentemente às tantas da madrugada?
  5. Porque ainda ninguem ligou para a GNR a queixar-se de tal abuso?
  6. Quem raio são os senhores do planalto beirão para colocar os ecopontos onde muito bem lhes apetece, e fazer as recolhas quando muito bem lhes apetece?
Note-se ainda que não é a primeira vez que há um carro "mal estacionado", apenas porque alguem que não mora em Valezim, não conhece os dias de recolha e não sabe que o que um carro "bem estacionado" no dia de recolha se transforma em "mal estacionado".
Neste tipo de situações costumo em primeiro lugar, pensar naquilo que são os nossos direitos. Dormir descansados sem ninguém a chatear e ter um caixote do lixo ou um ecoponto disponivel (entenda-se limpo e sem estar cheio) em local apropriado, são sem duvida direitos. No segundo caso, pagamos para isso.
Em segundo lugar valido o que posso fazer para alterar a situação que não julgo estar correcta. Lançar a discussão pode ser um começo.

Não estou a acusar ninguém, mas se existe um problema há que resolve-lo. Nas coversas a que tenho assistido a questão central é descobrir quem é o maior culpado. Chega quase a parecer que resolvido o problema deixam de ser assunto de conversa. Esses podem continuar a caça às bruxas.


Todos devemos Reduzir, Reciclar e Reutilizar. Cabe a todos exigir que sejam criadas condições para que o possamos fazer. Depois só depende de cada um de nós.