quinta-feira, setembro 03, 2009

As Alminhas de Valezim


Ao recordar o tempo em que passava pelas Alminhas e tinha que rezar uma Avé-Maria e um Pai Nosso sem saber muito bem qual o motivo, e levada também pelo facto de existirem alguns desses pequenos monumentos em Valezim, decidi fazer uma pequena pesquisa sobre o que de facto são as Alminhas e o seu significado.





Embora já os os Gregos, os Celtas, os Romanos erguessem pequenos monumentos junto dos caminhos e encruzilhadas, com o objectivo de proteger os viajantes, as Alminhas como hoje as conhecemos surgem no seculo XVI, após a Igreja reafirmar dogmaticamente a existência do Purgatório, facto que despertou nos cristãos diversas manifestações de fé com vista à salvação das almas em sofrimento: orações, missas, esmolas, etc...

Adquirem formas diferentes conforme a região e os materiais existentes, indo desde a mais simples cova escavada nas rochas aos belos trabalhos com rigor e beleza, que abrigam pinturas e painés de azulejos que retratam o Purgatório, representado por uma fogueira e pelas almas pecadoras que, envoltas em chamas, erguem as mãos suplicando clemência a Jesus Cristo Crucificado, a Virgem Maria, o Espírito Santo em forma de Pomba, etc, e pedem também às pessoas que por ali passam que rezem por elas.


"Ó ALMAS PIEDOSAS
QUE IDES PASSANDO,
LEMBRAI-VOS DE NÓS
QUE ESTAMOS PENANDO"

"Ó BOM JESUS, PELOS MÉRITOS DA VOSSA PAIXÃO
E MORTE NA CRUZ TENDE PIEDADE DE NÓS
E DAS BENDITAS ALMAS DO PURGATÓRIO"


Estes humildes monumentos são uma das expressões da arte popular portuguesa que mostram a religiosidade do nosso povo - são pequenos altares onde se pára um momento para deixar uma oração, com maior implantação no Norte e Centro de Portugal.
Erguidos em caminhos, encruzilhadas, pontes e nas entradas e saidas das povoações e por vezes nas frontarias de casas, as Alminhas eram respeitadas e veneradas por todos quantos por elas passavam.






Ficam imagens de dois desses singelos monumentos existentes de Valezim,
que mesmo o estado de conservação dos paines de azulejos não sendo o melhor, o que é de lamentar, têm algum valor cultural e religioso para a nossa terra.
As primeiras são das Alminhas da Calçada de São Domingos e as segundas das Alminhas da Rua da Escola. Existem outras no antigo caminho para a Lapa dos Dinheiros.

quarta-feira, agosto 19, 2009

DIA MUNDIAL DA FOTOGRAFIA

Porque ao contrário daquilo que alguns dizem, este não é o blogue do maldizer, nem o blogue dos ecopontos. O que falta, isso sim, são contributos válidos para o enriquecer. Não fosse o contributo da Joana e cá continuaria eu a pregar aos peixes. Enquanto houver pelo menos um Valezinense que me diga para continuar, por aqui estarei.
Comemora-se hoje o dia Mundial da Fotografia, tal como no ano passado não queria deixar de assinalar
o dia com as fotos que coloquei a concurso no CISE. Estas e outras fotos estarão em exposição no CISE na VII Exposição Itinerante de Fotografia de Ambiente , de 15 de Agosto a 30 de Setembro.




domingo, julho 19, 2009

Ecopontos de volta

Na sequência do que foi publicado noutro Post - Os ecopontos estão finalmente de volta à Praça da Igreja!

Poderá não ser o local ideal, mas é aquele que abrange a maior área populacional e daí a sua utilidade.



(Foto cedida por Carlos Jorge Gonçalves)

sábado, julho 04, 2009

Um Século de Vida

5 de Julho de 1909 - data de nascimento do nosso conterrâneo António Marques!!




Sim, é isso mesmo !!

O Sr António da "Cotilde", como é conhecido entre nós, festeja hoje 100 Anos e por isso este Post é dedicado a ele!

Não há memória em Valezim de alguém que tenha chegado a tão bonita idade, tratando-se por isso de algo inédito na nossa terra!!


Ninguem melhor que a familia para nos dar a conhecer um pouco deste Homem, destes 100 Anos cheios de vida e boa disposição!
Eis como os netos nos descrevem este tão GRANDE AVÔ:





" ” - Não! Ele há-de lá estar muito tempo sem mim…” foi assim que o avô António respondeu quando a Tia Odete lhe perguntou se ia dizer “até já” ao Sr. Manuel Figueiredo, aquando do seu funeral. Não sei se vai estar muito tempo longe dele ou não, mas é certo que pelo menos cá se tem aguentado. E bem!


Ainda não foi há muitos dias que me respondeu: “a mim é que me importa que vão (morram) na minha frente!!”. Ora aí está, alma despreocupada.

Quando a avó Clotilde morreu julgamos que não ia aguentar o desgosto. Afinal foi uma vida inteira, intensa e incrível. Eles até podiam refilar e parece que ainda estou a ver os gestos da avó Clotilde, irada, a discutir com ele mas era tudo como nas novelas. Terminava tudo em bem.

Ele também era maroto. Uma vez confiscou-lhe mil escudos (nesse tempo, já dava para muitos copitos e vários cigarros). Escondeu-os atrás do espelho da casa de banho e não fossem as limpezas da Tia Luísa e o segredo nunca tinha sido descoberto. Azar!

Convidaram-nos para falar sobre o nosso avô, mas 100 anos de histórias demorariam muito a tempo a escrever. Melhor seria ouvi-las da boca dele. Seriam, com certeza, momentos bem divertidos…

O avô António e a avó Clotilde tiveram uma vida muito intensa. Tiveram 9 filhos.
Trabalhavam no campo e daí alimentavam a prole. Bem cedo os mais velhos saíram da aldeia para outras paragens.
Foram tempos difíceis, mas juntos souberam ultrapassar as dificuldades da vida – e tantas que foram…
Mas a pequena casa foi-se enchendo: 23 netos e 12 bisnetos que hoje estão orgulhosos do avô António!

O nosso avô é artista: ele canta nas nossas festas e até dá entrevistas ao Porta da Estrela! Com ele aprendemos para além do que os livros nos ensinam.

Os seus 100 anos não lhe retiram o gosto pelo passeio, pelas conversas e pelas piadas. Gosta que lhe dêem atenção e não gosta nada de ser contrariado – o avô tem sempre razão! Não é assim, Tia Odete?!

Gosta de se manter informado: os Euros não o atrapalham, discute o preço do barril do petróleo e não gosta da Manuela Ferreira Leite. Porque afinal é fiel a quem lhe paga o “ordenado”. O qual ele se orgulha de ganhar sem ter de cumprir horários: “quando me levanto já tenho dia ganho”!

Moderno e atento às novas tendências, o avô António ainda se preocupa com as calças vincadas, com os colarinhos das camisas e nada de usar cores “que sejam para velhos”. Mas desenganem-se aqueles que pensam que o nosso avô é um consumista desmedido: insistiu que não lhe “mercássemos” nada para prenda de anos! Claro que os miminhos que ele tanto aprecia já estão comprados: rebuçados e um bom vinho Porto!

O nosso avô não é perfeito, mas nesta idade já não há defeitos… apenas virtudes. Ainda assim, os seus defeitos não nos retiram o orgulho de termos o melhor avô do mundo.

Agora, sabemos que não se pedem mais 100 anos, pede-se um dia de cada vez….

Mas que ele tem vontade de viver isso tem…

Obrigada Avô e muitos parabéns! "

E da nossa parte: Sr António, MUITOS PARABÉNS!!

quinta-feira, julho 02, 2009

Os Lobos - Lembranças de António Marques

O Porta da Estrela entrevistou o Sr António Marques, quase a completar 100 Anos, sobre as filmagens d' "OS Lobos". Já passaram 86 anos, mas dificilmente esqueceria o reboliço vivido na pacata aldeia nessa altura.
“Então não me lembra! Se lembro! – diz António Marques"

Aqui fica a entrevista retirada do Jornal Porta da Estrela

<< ...

Porta da Estrela (PE): Sr. António, em finais de 1922 e inícios de 1923, em Valezim, andaram por aqui uns artistas a fazer um filme. Lembra-se de tal coisa e dos sítios onde filmaram?
(A.M.): Então não lembra! Foi lá cima no Carvalhal. Arrastavam daqui lá para cima as torgas secas e acendiam-nas lá no alto. Faziam um monte e deitavam o fogo para fazer fumo e carvão. (2) Era lá num “talegre” que lá havia.
Eles não carregavam nada às costas…
PE: Pois é. Vinham lá das capitais…
A.M.: Pois vinham. Eles traziam aquelas máquinas grandes, antigas…antigas …daquelas com trapézios (são tripés) que deitavam um pano por cima.
PE: E aqui em Valezim?
A.M.: Andaram ali naquela ponte, que é a ponte romana. Ficavam ali uns moinhos. Olhe, havia dois deste lado e lá abaixo o do Isaac, que tinha também um moinho ali.
PE: Mas lembra-se deles andarem a filmar aqui em Valezim…
A.M.: Era…era nestes sítios que eles viam que ficavam melhor para aparecer noutros lados. Aquilo era para ser vendido, claro. Iam ganhar dinheiro, senão não o andavam a gastar…
PE: Mas, eles filmaram aqui na casa onde hoje fica o clube?
A.M.: Ah. Pois. Filmaram toda a Casa Real! Casa Real! Até lá estão as armas reais. Havia lá uns homens…eram todos importantes.
PE.: É a Casa dos Castelo Branco (3) gente nobre.
A.M.: É. Andaram lá em frente e naqueles quintais e na casa.
PE: Porque é que chama a Casa Real?
A.M.: Porque havia cá homens…reais…gente nobre, claro. Agora não há cá ninguém como nesses tempos. Naqueles tempos havia aqui homens rijos e tesos.
A.M.: Deixe-me cá ver.
(E aponta para uma foto). (4) E diz:
Estes eram dos que cá andaram.
PE: Então lembra-se dos artistas cá andarem?
A.M.: Eles lá andavam nessas comédias com as raparigas…bem, com as mulheres, que elas eram uns mulherões. Eu não sei, mas agora já não há mulheres da estatura que aquelas tinham. As mulheres agora são mais pequeninas. (E arranca uma estrondosa gargalhada) Eram uns mulherões. Lembra-me muito bem. Eu já tinha idade. Já andava com os rebanhos por aí.
PE: Há uma fotografia que apresenta um casamento na Senhora da Saúde…
A.M.: Mas ainda não estava como agora…era terra em volta…não tinha escadaria nem muros.
PE: Convidaram pessoas daqui para serem figurantes, lembra-se?
A.M.: Sim…Sim…Então, eles traziam tanta gente. E carros! Transportavam tudo de carro. Não vinham a pé, pois já havia caminho. Eu lembro-me. Eu vi. Eu também era danado para ver. Entregava as ovelhas a um irmão meu e ia ver. Eu gostava de espreitar aquilo.
PE: Então lembra-se disso?
A.M.: Então não me lembra! Se lembro! Muito bem até. Aquilo era uma seita do “carago”, também lhe digo.
PE: O Sr. António tinha 14 anos. Portanto, uma idade que lhe permitiu registar o que se passou. Lembra-se se essa gente pernoitava em Valezim ou iam e vinham todos os dias?
A.M.: Iam e vinham.
P.E.: Para onde, não sabe?
A.M.: Era para Seia, porque o Zé Morgado (com carro de aluguer em Seia na época) é que os trazia e levava. O Zé Morgado tinha um carro…um carrão vermelho…aquilo andava! Eles andavam em dois carros, não era só um. E então não tinham lotação. Era os que cabiam.
P.E.: O Senhor António conheceu três homens na fotografia…
A.M.: Ah. Pois conheci. Eram os que estavam mais melhor de se conhecer. Naquele tempo Valezim era muito sossegado. Apareceu aqui aquela rapaziada…foi uma revolução, um desassossego… Pois foi. Todos gostavam de ver. Andaram a espreitar como eu. Eu já tinha 14 anos.
... >>

segunda-feira, junho 29, 2009

Valezim na Rota do Cinema Mudo - Actualização


"Os Lobos"
Assim se intitula o filme do italiano Rino Lupo, que estreou a 7 de Maio de 1923 no Jardim Passos Manuel (Porto) e que teve filmagens em Valezim.

O filme retrata a vida de uma aldeia minhota << ...dominada pela tradição patriacal:

a mulher ocupa-se das lidas do lar ou recolhe lenha;
o homem vela pelos rebanhos ou abate árvores de que fará carvão.
Após cumprir pena por crime passional, um marítimo chega àquelas paragens, convertendo-se em elemento de fascínio e desagragação da estructura arcaica. ... >>

Biografia de Cesare Rino Lupo
Nasceu em Roma, 15 de Fevereiro de 1884 tendo falecido, possivelmente, em 1934. Seduzido pelas belezas do país, trabalhou em Portugal na segunda década do século XX, na época do cinema mudo. Dessa época, são por exemplo, os seus filmes: Mulheres da Beira, Os Lobos e José do Telhado.

Durante "Os Lobos" surgem vários locais de Valezim como:
<<...vistas de Valezim, nomeadamente a partir do alto de Sazes, vendo-se um forno em zona altaneira por detrás da Igreja de Nossa Senhora do Rosário...>>
<<...Vê-se uma cascata na ribeira de Valezim,...>>
<<...Vemos muros de divisão de propriedades e caminhos, uma ponte antiga, talvez a ponte romana de acesso à Capela de São Domingos....>>


<<...Surge a torre sineira da Capela de São João e o sino anuncia o “toque das Trindades”...>>

<<...Tendo como fundo mais uma linda paisagem de Valezim, vista do alto de Sazes...>>
<<...Realiza-se o cerimonial de bênção para o pão. Águeda faz cruzes sobre a massa. ...>>

<<...Na peça de teatro, esta tradição é associada à seguinte reza: “Sam Mamede te levede, Sam Vicente te acrescente”. Carregam os tabuleiros à cabeça protegida por uma “rodilha”. Tudo isto num cenário representando um amplo pátio interior de uma habitação rural de Valezim...>>
<<...Avista-se a rua do Cabo, em Valezim...>>
<<...Capela de Nossa Senhora da Saúde sem a escadaria hoje existente, e com o largo ainda despido de arvoredo...>>


<<...Surge o fontanário da Abilheira, onde duas mulheres enchem os seus cântaros....>>
<<...O filme reporta-nos a mais umas paisagens rurais de Valezim, a saber: o típico “carro de bois”, as lareiras fumegantes, um grupo de moças transportando à cabeça as “taleigas” com farinha que foram carregar ao moinho, este também enquadrado na queda de água que faz movê-lo. ...>>
<<...pensamos que na zona do actual Cabeço do Crasto de Valezim (Demestre ou Darnelas) ...>>





Ver mais em:


O concelho de Seia na História do Cinema Mudo em Portugal (Parte I)
http://www.portadaestrela.com/index.asp?idEdicao=279&id=12239&idSeccao=2574&Action=noticia

O concelho de Seia na História do Cinema Mudo em Portugal (Parte II)
http://www.portadaestrela.com/index.asp?idEdicao=280&id=12309&idSeccao=2583&Action=noticia

O concelho de Seia na História do Cinema Mudo em Portugal (Parte III)
http://www.portadaestrela.com/index.asp?idEdicao=281&id=12356&idSeccao=2594&Action=noticia>

Os Lobos ("vistos" por Guida Lami)
http://www.portadaestrela.com/index.asp?idEdicao=279&id=12240&idSeccao=2574&Action=noticia

Seia, São Romão e Valezim na história do cinema mudo português
http://www.portadaestrela.com/index.asp?idEdicao=279&id=12241&idSeccao=2574&Action=noticia

Associação para a Promoção do Cinema Português
http://www.amordeperdicao.pt/basedados_filmes.asp?filmeid=211

sexta-feira, junho 19, 2009

Crime Ambiental ou Poda Vanguardista?



Ao longo dos ultimos anos as arvores existentes ao longo da estrada - cerejeiras e tilieiras, têm sido alvo de um 'tratamento' cujo objectivo ainda não se entendeu: Mata-las!? Ou Poda-las a fim de as regenerar/tratar!?

Sugiro aos Senhores da EP, que no proximo ano antes de cometerem tal crime, leiam o livro "Manual do Podador" - Carlo Fideghelli (Editorial Presença), talvez aprendam alguma coisa!













PRECISA-SE DE MATÉRIA PRIMA PARA CONTRUIR UM PAÍS, UMA VILA!

De entre o muito lixo que recebemos nas nossas caixas de email, por vezes recebemos alguns emails que nos deixam a pensar depois da leitura... Nada fácil nos dias de hoje, onde qualquer um é jornalista, blogger, ou tem a coragem de publicar as suas ideias. Fica um texto de Eduardo Prado Coelho pubicado no Jornal Público. Já lá vão 2 anos mas continua muito actual, em portugal e em Valezim, claro!

Eduardo Prado Coelho, faleceu a (25/08/2007),


"Precisa-se de matéria prima para construir um País
Eduardo Prado Coelho - in Público


A crença geral anterior era de que Santana Lopes não servia, bem como Cavaco, Durão e Guterres.
Agora dizemos que Sócrates não serve.
E o que vier depois de Sócrates também não servirá para nada.
Por isso começo a suspeitar que o problema não está no trapalhão que foi Santana Lopes ou na farsa que é o Sócrates.
O problema está em nós. Nós como povo. Nós como matéria prima de um país.

Porque pertenço a um país onde a ESPERTEZA é a moeda sempre valorizada, tanto ou mais do que o euro.
Um país onde ficar rico da noite para o dia é uma virtude mais apreciada do que formar uma família baseada em valores e respeito aos demais.
Pertenço a um país onde, lamentavelmente, os jornais jamais poderão ser vendidos como em outros países, isto é, pondo umas caixas nos passeios onde se paga por um só jornal E SE TIRA UM SÓ JORNAL, DEIXANDO-SE OS DEMAIS ONDE ESTÃO.
Pertenço ao país onde as EMPRESAS PRIVADAS são fornecedoras particulares dos seus empregados pouco honestos, que levam para casa, como se fosse correcto, folhas de papel, lápis, canetas, clips e tudo o que possa ser útil para os trabalhos de escola dos filhos... e para eles mesmos.
Pertenço a um país onde as pessoas se sentem espertas porque conseguiram comprar um descodificador falso da TV Cabo, onde se frauda a declaração de IRS para não pagar ou pagar menos impostos.

Pertenço a um país:
-Onde a falta de pontualidade é um hábito;
-Onde os directores das empresas não valorizam o capital humano.
-Onde há pouco interesse pela ecologia, onde as pessoas atiram lixo nas ruas e, depois, reclamam do governo por não limpar os esgotos.
-Onde pessoas se queixam que a luz e a água são serviços caros.
-Onde não existe a cultura pela leitura (onde os nossos jovens dizem que é 'muito chato ter que ler') e não há consciência nem memória política, histórica nem económica.
-Onde os nossos políticos trabalham dois dias por semana para aprovar projectos e leis que só servem para caçar os pobres, arreliar a classe média e beneficiar alguns.
-Pertenço a um país onde as cartas de condução e as declarações médicas
podem ser 'compradas', sem se fazer qualquer exame.
-Um país onde uma pessoa de idade avançada, ou uma mulher com uma criança nos braços,
ou um inválido, fica em pé no autocarro, enquanto a pessoa que está sentada finge que dorme para não lhe dar o lugar.
-Um país no qual a prioridade de passagem é para o carro e não para o peão.
-Um país onde fazemos muitas coisas erradas, mas estamos sempre a criticar os nossos governantes.

Quanto mais analiso os defeitos de Santana Lopes e de Sócrates, melhor me sinto como pessoa, apesar de que ainda ontem corrompi um guarda de trânsito para não ser multado.
Quanto mais digo o quanto o Cavaco é culpado, melhor sou eu como português, apesar de que ainda hoje pela manhã explorei um cliente que confiava em mim, o que me ajudou a pagar algumas dívidas.

Não. Não. Não. Já basta.
Como 'matéria prima' de um país, temos muitas coisas boas, mas falta muito para sermos os homens e as mulheres que o nosso país precisa.

Esses defeitos, essa 'CHICO-ESPERTERTICE PORTUGUESA' congénita, essa desonestidade em pequena escala, que depois cresce e evolui até se converter em casos escandalosos na política, essa falta de qualidade humana, mais do que Santana, Guterres, Cavaco ou Sócrates, é que é real e honestamente má, porque todos eles são portugueses como nós, ELEITOS POR NÓS. Nascidos aqui, não noutra parte...

Fico triste. Porque, ainda que Sócrates se fosse embora hoje, o próximo que o suceder terá que continuar a trabalhar com a mesma matéria prima defeituosa que, como povo, somos nós mesmos.

E não poderá fazer nada...
Não tenho nenhuma garantia de que alguém possa fazer melhor, mas enquanto alguém não sinalizar um caminho destinado a erradicar primeiro os vícios que temos como povo, ninguém servirá.
Nem serviu Santana, nem serviu Guterres, não serviu Cavaco, nem serve Sócrates e nem servirá o que vier.

Qual é a alternativa ?
Precisamos de mais um ditador, para que nos faça cumprir a lei com a força e por meio do terror ?
Aqui faz falta outra coisa. E enquanto essa 'outra coisa' não comece a surgir de baixo para cima, ou de cima para baixo, ou do centro para os lados, ou como queiram, seguiremos igualmente condenados, igualmente estancados... igualmente abusados !

É muito bom ser português. Mas quando essa portugalidade autóctone começa a ser um empecilho às nossas possibilidades de desenvolvimento como Nação, então tudo muda...

Não esperemos acender uma vela a todos os santos, a ver se nos mandam um messias.
Nós temos que mudar. Um novo governante com os mesmos portugueses nada poderá fazer.

Está muito claro... Somos nós que temos que mudar.

Sim, creio que isto encaixa muito bem em tudo o que anda a acontecer-nos:
Desculpamos a mediocridade de programas de televisão nefastos e, francamente, somos tolerantes com o fracasso.
É a indústria da desculpa e da estupidez.
Agora, depois desta mensagem, francamente, decidi procurar o responsável, não para o castigar, mas para lhe exigir (sim, exigir) que melhore o seu comportamento e que não se faça de mouco, de desentendido.

Sim, decidi procurar o responsável e ESTOU SEGURO DE QUE O ENCONTRAREI QUANDO ME OLHAR NO ESPELHO.

AÍ ESTÁ. NÃO PRECISO PROCURÁ-LO NOUTRO LADO.

E você, o que pensa ?... MEDITE !

EDUARDO PRADO COELHO"

quarta-feira, junho 03, 2009

Sociedade de Consumo

António, depois de dormir numa almofada de algodão (Made in Egipt),
começou o dia bem cedo, acordado pelo despertador (Made in Japan) às 7
da manhã.

Depois de um banho com sabonete (Made in France) e enquanto o café
(importado da Colômbia) estava a fazer na máquina (Made in Chech
Republic), barbeou-se com a máquina eléctrica (Made in China).
Vestiu uma camisa (Made in Sri Lanka), jeans de marca (Made in
Singapure) e um relógio de bolso (Made in Swiss).

Depois de preparar as torradas de trigo (produced in USA) na sua
torradeira (Made in Germany) e enquanto tomava o café numa chávena
(Made in Spain), pegou na máquina de calcular (Made in Korea) para ver
quanto é que poderia gastar nesse dia e consultou a Internet no seu
computador (Made in Thailand) para ver as previsões meteorológicas.

Depois de ouvir as notícias pela rádio (Made in India), ainda bebeu um
sumo de laranja (produced in Israel), entrou no carro Saab (Made in Sweden)
e continuou à procura de emprego.

Ao fim de mais um dia frustrante, com muitos contactos feitos através
do seu telemóvel (Made in Finland) e, após comer uma pizza (Made in
Italy), o António decidiu relaxar por uns instantes.

Calçou as suas sandálias (Made in Brazil), sentou-se num sofá (Made in
Denmark), serviu-se de um copo de vinho (produced in Chile), ligou a
TV (Made in Indonésia) e pôs-se a pensar porque é que não conseguia
encontrar um emprego em PORTUGAL...


O Ministério da Economia de Espanha estima que se cada espanhol consumir
150€ de produtos nacionais, por ano, a economia cresce acima de todas as estimativas
e, ainda por cima, cria não sei quantos postos de trabalho.

Será que as empresas e consumidores Portugueses têm conhecimento disto?

quinta-feira, maio 21, 2009

"Quintal da Junta"



Quem se lembra do antigo "Quintal da Junta"?
Dos baloiços e dos velhos cavalinhos?
E do campo dourado em que se tornava em Setembro/Outubro durante a secagem do milho?
E do som dos grilos na Primavera?


Pois bem! Esse espaço, recuperado pela Junta de Freguesia, é agora um agradável jardim que convida ao descanço num belo final de tarde.


Deixo algumas fotos do mesmo.







sexta-feira, maio 15, 2009

O HOMEM DO LIXO

Aqui há uns anos, numa das Festas em que pertenci à Comissão do Arraial das Festas de Nossa Sra. da Saúde, enquanto servia no Bar, um dos clientes que esperava por ser atendido, vira-se para mim e pergunta: "O Sr. não sabe quem é que eu sou?", vendo o meu olhar interrogativo voltou a perguntar "O Sr. não sabe quem é que eu sou?". Percebendo que eu não sabia mesmo, passou a apresentar-se: "Eu sou o homem do lixo!".
Da minha introdução facilmente se depreende que os trabalhadores que trabalham neste sector de actividade são pessoas importantes desde há muito tempo! Quer sejam trabalhadores da Câmara, de uma outra entidade qualquer, deste planalto ou de outro qualquer.
Raro é o fim-de-semana que vou a Valezim em que não se fale da ultima vez em que o camião do lixo não esteve a buzinar de forma insistente às tantas da manhã. A discussão que se gerou à volta da mensagem publicada pela Joana, levou-me a acabar esta mensagem que estava meia-feita há já algum tempo.
A ultima vez que quis fazer passar a minha opinião, sobre este assunto numa das "conversas de Clube", a coisa correu mal. Apesar da etiqueta que já me colocaram "O gajo de Lisboa que só cá vem de vez em quando, e para quem é fácil mandar bocas". Aqui ficam uma perguntas quem quiser que responda!

  1. Antes de comprarem os camiões do lixo, as ruas de Valezim já existiam. Conhecendo o concelho como conheço, até posso dizer que as ruas de Valezim até são muito boas comparando com outras freguesias. Serão os camiões adequados à recolha do lixo no Concelho de Seia?
  2. Em freguesias em que não há constrangimento de trânsito, porque não fazer a recolha durante o dia? Ou durante o dia não há pagamento de horas extraordinárias, e este tipo de trabalhos deizam de ser interessantes?
  3. Se há viaturas que estão "mal estacionadas" a infringir a lei, porque não convocam a GNR para abrir caminho?
  4. Que direito tem um senhor qualquer estar a buzinar insistentemente às tantas da madrugada?
  5. Porque ainda ninguem ligou para a GNR a queixar-se de tal abuso?
  6. Quem raio são os senhores do planalto beirão para colocar os ecopontos onde muito bem lhes apetece, e fazer as recolhas quando muito bem lhes apetece?
Note-se ainda que não é a primeira vez que há um carro "mal estacionado", apenas porque alguem que não mora em Valezim, não conhece os dias de recolha e não sabe que o que um carro "bem estacionado" no dia de recolha se transforma em "mal estacionado".
Neste tipo de situações costumo em primeiro lugar, pensar naquilo que são os nossos direitos. Dormir descansados sem ninguém a chatear e ter um caixote do lixo ou um ecoponto disponivel (entenda-se limpo e sem estar cheio) em local apropriado, são sem duvida direitos. No segundo caso, pagamos para isso.
Em segundo lugar valido o que posso fazer para alterar a situação que não julgo estar correcta. Lançar a discussão pode ser um começo.

Não estou a acusar ninguém, mas se existe um problema há que resolve-lo. Nas coversas a que tenho assistido a questão central é descobrir quem é o maior culpado. Chega quase a parecer que resolvido o problema deixam de ser assunto de conversa. Esses podem continuar a caça às bruxas.


Todos devemos Reduzir, Reciclar e Reutilizar. Cabe a todos exigir que sejam criadas condições para que o possamos fazer. Depois só depende de cada um de nós.



sexta-feira, maio 08, 2009

Beiralã despede 120 trabalhadores



Lanifícios Beiralã despedem mais 120 trabalhadores


A empresa de lanifícios Beiralã anunciou o despedimento a mais 120 trabalhadores. Os funcionários já tinham os contratos suspensos desde Setembro do ano passado. O Sindicato vai agora apresentar um plano para evitar o encerramento da empresa que já chegou a ser o maior empregador do concelho de Seia.

Segundo o presidente do Sindicato dos Têxteis da Beira Alta (STBA), Carlos João, o encerramento da empresa de Seia "não é uma surpresa para os trabalhadores" que já tinham os seus contratos suspensos desde Setembro do ano passado.

"Este despedimento, insere-se no processo de insolvência, e foi pedido pelos trabalhadores por forma a poderem recuperar os seus créditos e participar na assembleia de credores", adiantou à Lusa, António Correia, administrador judicial da Beiralã.

António Correia, confirmou que vai apresentar na assembleia de credores dia 01 de Junho um plano de insolvência por forma a evitar o encerramento definitivo.

"Se a assembleia de credores aprovar o plano a empresa terá continuidade, caso contrário só resta proceder à liquidação da mesma", afirmou.

Os trabalhadores, o IAPMEI e a Segurança Social são os principais credores da empresa, grupo que no seu conjunto representam mais de 75 por cento das dívidas.

A Beiralã, que já empregou cerca de 400 pessoas - muitas oriundas da falida FISEL, na altura, o maior empregador do concelho - tem vindo nos últimos três anos a despedir cerca de 100 trabalhadores por ano, contando agora, depois deste último despedimento com apenas 90 operários.

In Sic Online


Não é novidade para ninguém, mas hoje em dia, dado a quantidade de noticias do genero, deve estar na moda!


quarta-feira, maio 06, 2009

Ecopontos




O que são ecopontos?
Os ecopontos são contentores diversificados (vidrão, embalão, papelão e pilhão) para a recolha selectiva de resíduos sólidos urbanos (RSU) para posterior reciclagem.



Pois é!!

Numa altura em que tanto se fala em REDUZIR, REUTILIZAR, RECICLAR para bem do ambiente (e não só!!) e consequentemente de nós próprios, em Valezim em vez de se aproximarem os ecopontos da população, ou a população dos ecopontos, afastam-se!

Ou seja, deslocalizaram os ecopontos que estavam na Praça da Igreja (escapou o pilhão), que é a área com maior densidade populacional, para o largo da piscina - uma zona desertificada!

Será que a deslocalização, dita inicialmente como sendo provisória (embora com quase 5 meses), passará a definitiva?


Parabens pela escolha!!




sábado, abril 25, 2009

UMA GAIVOTA QUE VOA HÁ 35 ANOS

Era esta a musica que eu cantarolava no pós 25 de Abril. Sem compreender o alcance da letra, gostava do tom e sem muito bem perceber o que isso queria dizer, era-me permitido cantar essa musica.

Do período, pré 25 de Abril de 1974, pouco me recordo, além da figura do regedor, aquele senhor a quem se faziam as queixinhas e que nos poderia retirar a bola se jogássemos no meio da rua. Do que foi viver em ditadura não me posso pronunciar. Do que foi viver os primeiros anos de democracia, da participação e do envolvimento das pessoas, já poderia dizer qualquer coisa.

Hoje todos falam de liberdade, mas poucos a entendem. Podemos dizer que continua muito mal tratada. Uns evocam-na apenas para justificar que tem o direito de fazer tudo o que lhes apetecer, quando lhes apetecer, mesmo que o que lhes apetece vá contra os mais elementares direitos de outros da sociedade onde vivem. Outros hoje como há 35 anos continuam confusos, só tem coragem para actuar na sombra. Naqueles tempos tinham um nome: bufos, hoje não têm nome.
Diz-se e com razão que só é possível dar o verdadeiro valor às coisas que se perdem. Aqueles que estão a ler este blog, e que se viram privados da liberdade a que nível fosse, e que conheceram as duas realidades em Valezim, que se pronunciem:

O que está melhor?
O que está Pior?
O que mudou?

É só para isso que este blog serve: partilha de experiências e opiniões.


Uma gaivota voava, voava,

asas de vento,

coração de mar.

Como ela, somos livres,

somos livres de voar.

Uma papoila crescia,

crescia,grito vermelho

num campo qualquer.

Como ela somos livres,

somos livres de crescer.

Uma criança dizia, dizia

"quando for grandenão vou combater".

Como ela, somos livres,

somos livres de dizer.

Somos um povo que cerra fileiras,

parte à conquista

do pão e da paz.

Somos livres, somos livres,

não voltaremos atrás.

http://www.youtube.com/watch?v=9v15fr7Wfek

terça-feira, abril 14, 2009

Valezim Vive

Caríssimos conterrâneos,

Momentos como os vividos no passado fim-de-semana, levam-me a pensar que apesar de tudo o convívio é possível independentemente das crenças e convicções de cada um. Afirmo-o depois do almoço de sábado e depois da Visita Pascal do domingo. Outros porém escolhem o caminho da critica gratuita. Para esses algumas frases de reflexão:

Apoiada, a coragem nasce até mesmo naqueles que são muito cobardes
Fonte: "Ilíada"
Autor: Homero

Todas as virtudes são coragem; eis porque a palavra cobarde é a mais grave das injúrias
Autor: Alain

Não basta fugir, é necessário fugir-se para o lado mais conveniente
Autor: Ramuz, Charles

Em que consiste a pior das cobardias? Parecer-se cobarde perante os outros e manter a paz ? Ou ser-se cobarde perante nós próprios e provocar a guerra?
Autor: Girandoux, Jean

Poucas pessoas têm a coragem de ser cobardes diante de testemunhas
Autor: Gautier, Théophile

Não há exemplos na História de se ter conquistado a segurança pela cobardia
Autor: Blum, Léon

Os cobardes morrem várias vezes antes da sua morte; / O homem corajoso experimenta a morte apenas uma vez
Fonte: "Júlio César"
Autor: Shakespeare, William

Muitos seriam cobardes se tivessem coragem suficiente
Fonte: "Gnomologia"
Autor: Fuller, Thomas

A diferença entre os corajosos e os cobardes é esta: os primeiros reconhecem o perigo e não sentem medo, os segundos sentem medo sem reconhecer o perigo
Fonte: "Aforismos"
Autor: Kliutchevski, V.

Extraídas do Citador.

quinta-feira, abril 09, 2009

Assaltos

Caros Amigos,

A onda de assaltos que assola o País, já chegou a Valezim.
Mais uma vez a capela da Nª Srª da Saúde foi assaltada durante a noite, tendo os assaltantes quebrado uma janela para entrar e roubado o cofre.
Como se não bastasse durante a tarde de ontem e, enquanto o Sr. Alberto "Gato" aguardava pela PJ, foi agredido por um individuo que queria forçar a entrada na Capela.
Também há dias atrás, o nosso cemitério foi profanado com "macumbas".
Deixo sugestão para a capela: porque não gradear as janelas da mesma?

Tenham uma Santa Páscoa!

quinta-feira, abril 02, 2009

Domingo com Saúde

Estimados Valezinenses,

Domingo dia 05/04 vai ter lugar nos B.V. Valezim 5ª Secção, um rastreio à Glicémia e Colesterol aberto a toda a população.
Inciativa em parceria com B.V. Valezim; CREV e Junta de Freguesia.

Apareçam!!!

terça-feira, março 31, 2009

CISE - Mata do Desterro com percursos Pedrestres

Foram apresentados publicamente pelo CISE, no dia 21 de Março - Dia Mundial da Floresta - 3 percursos pedestres na Mata do Desterro.
Este projecto tem como objectivo a conservação da natureza dando a conhecer a flora e fauna local, a geologia, bem como sensibilizar a população para as questões ambientais.


A Mata do Desterro, localizada em S.Romão, na margem esquerda do rio Alva, tem uma área de 136 hectares de floresta, é propriedade da EDP, mas cuja gestão foi cedida à Câmara Municipal de Seia.

Foram dados a conhecer 3 percuros diferentes, devidamente sinalizados, cuja durabilidade é entre os 45 minutos e as três horas numa extensão de 15 Kms.
Todos têm um baixo grau de dificuldade, podendo por isso ser efectuados por qualquer pessoa.

Podem ser apreciados 3 habitats caracteristicos da região - florestais, ribeirinhos e matos - onde serão encontrados paineis explicativos que ajudaram a compreender a paisagem e conhecer elementos que os caracterizam.


É deste tipo de Projectos que a Serra da Estrela necessita para mostrar que a Serra não é apenas uma estrada de alcatrão que nos leva até à Torre.


Parabens CISE!


No entanto...... de salientar a fraca, ou quase inexistente, informação destes percursos no site da entidade.